HOMENS MADUROS
Minha juventude foi nos anos 60/70 do século passado, portanto uma parte da história não li, vivi...! (nossa...! século passado!!!)
Estudei no tempo que bastava ter um livro debaixo do braço para ser taxado de comunista, e ouvindo meu pai dizer: "se te perguntarem do governo, diga que é ótimo!", pois muita gente sumiu naquela época. Conheci um integrante do Esquadrão da Morte (nossa! é a primeira vez que escrevo isso), trabalhava no DOPS.
Fiz Jardim da infância, primeiro grau ou primário (atual primeira a quarta do Ensino Fundamental - EF), segundo grau ou Ginasial (quinta à oitava do atual EF), fiz exame de admissão, que era um exame para provar que você tinha condições de ir para o Ginasial. Estudei Inglês e Francês e noções de Latim. Após o Ginasial, poderíamos ir para o Científico, Normal ou escola técnica (equivalente ao Ensino Médio atual). Estudei quatro anos de Curso Técnico em Eletrônica Industrial, curso que me colocou na computação, no antigo Liceu Eduardo Prado
Peguei, para minha coleção, santinhos (aqueles de época de eleição) do Jânio Quadros, que foi eleito presidente do Brasil e assumiu em 31 de janeiro de 1961, cujo slogan era: varre, varre vassourinha!.
Lembro-me do Juscelino Kubitschek, o presidente construtor da capital Brasília, inaugurada em 21 de abril de 1960, que fui conhecê-la em 1971. Ele impressionava com seus discursos!
No dia 31 de março de 1964 fui ao Largo de São Bento (SP) para fazer compras para meu pai, de Tróleibus (o ônibus elétrico). Ao passar pela Avenida Tiradentes, em frente ao quartel do Batalhão Tobias de Aguiar, estranhei as árvores cortadas e vários Brucutus (Tanque de guerra sobre rodas) estacionados ao longo da avenida. Ao chegar em casa, de volta, minha mãe estava em desespero, pois o rádio anunciava a todo momento a revolução, a queda de João Goulart (apelido Jango) deposto por um golpe militar. Conheci um militar do exército, que trabalhou em Brasília e "jura de pé juntos" que Costa e Silva foi assassinado.
Trabalhei no centro velho de São Paulo como técnico de Computação (ainda não existia a palavra informática), comi muito PF (prato feito), alguns inclusive com nomes interessantes: bancário, bradesco, itaú...! Passei muitas noites dentro dos bancos, até resolver o problema, mas era feliz e não reclamava. Vi a rodagem das primeiras Loterias Esportivas (era na Datamec no início da Avenida Ipiranga).
Roubei flores no Parque Ibirapuera para dar para a Glauceli. Fui para Santos de Karmann Ghia, muitas e muitas vezes pela estrada velha (Caminho do Mar, aquela estradinha que D. Pedro I viajava). Pulei carnaval no CMTC Clube, voei de Electra, Dart Herald, Boeing 737 e outros.
Vi a construção do Metrô de São Paulo, linha Norte-Sul. Também vi a construção da Ponte Rio-Niterói
Namorei no Parque Ibirapuera, tomei Cuba Libre, Cerejinha, Grapetti, Minuano. Fumei Continental sem filtro, Hollywood e Minister, vi muitos "nascer do sól" em São Paulo, quando ainda não se falava em poluição.
Morava em Santana, no mesmo bairro do Sergio Reis, comi lanche na lanchonete dos VIP's, conheci os palhaços Fuzarca e o Torresmo. Na ponte aérea Rio-S.Paulo via artistas famosos constantemente.
Cantei": "que tudo vá para o inferno", "Parei a quatro dedos da vitrine", "Help", "Carinhoso", "Era um garoto como eu...", "O calhambeque", Yelow submarine" e tantas outras. Assisti: Nas curvas da estrada de Santos, Help, 2001 uma odisséia no espaço, O Planeta dos Macacos. Assisti ao Cinerama... que maravilha!
Assisti a copa de 1970, Futebol arte e não pancadaria, onde esporte ainda era esporte e não uma maneira rápida de ficar rico. Cantei:
70 milhões em ação....
Prá frente Brasil, Salve a Seleção
E de repente é aquela corrente pra frente
Parece que todo país deu a mão
Vamos todos juntos, prá frente Brasil, Brasil
Salve a seleção..... (chorei de emoção)
Vi o western Bonanza colorido (primeiro filme em cores para TV, no Brasil).
Andei pelas ruas de mão dadas, namorando, olhando as estrelas, pois nem sempre tinha dinheiro para a gasolina, e também não tinha medo de ser assaltado. Namorei no cinema, nem importava o filme que estivesse passando.
Dei flores, muitas flores, mais flores.... é lindo ver uma mulher receber flores... ah!... aquele sorriso! "Eu sou aquele amante à moda antiga, do tipo que ainda manda flores!"
Não sou de ficar choramingando as maravilhas dos dias passados, pois outras maravilhas eu encontrei em toda minha vida (filhos, neto, realizações, paciência, amor, amizades...), e continuo encontrando-as, mas recebi um PowerPoint (sou colecionador de PPT e PPS), que me fez lembrar muita coisa dos anos 60 / 70 / 80 do século passado. Se o monitor estiver molhado, são lagrimas sim..... e partilho com vocês esse texto sobre Homens Maduros: